Perfil da Semana: Cecília Meireles

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Cecília Meireles é uma das grandes escritoras da literatura brasileira. Seus poemas encantam os leitores de todas as idades. Nasceu no dia 7 de novembro de 1901, na cidade do Rio de Janeiro e seu nome completo era Cecília Benevides de Carvalho Meireles.

Sua infância foi marcada pela dor e solidão, pois perdeu a mãe com apenas três anos de idade e o pai não chegou a conhecer (morreu antes de seu nascimento). Foi criada pela avó Dona Jacinta. Por volta dos nove anos de idade, Cecília começou a escrever suas primeiras poesias.  

Formou-se professora (cursou a Escola Normal) e com apenas 18 anos de idade, no ano de 1919, publicou seu primeiro livro “Espectro” (vários poemas de caráter simbolista). Embora fosse o auge do Modernismo, a jovem poetisa foi fortemente influenciada pelo movimento literário simbolista. 

No ano de 1922, Cecília casou-se com o pintor Fernando Correia Dias. Com ele, a escritora teve três filhas.  

Sua formação como professora e interesse pela educação levou-a a fundar a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro no ano de 1934. Escreveu várias obras na área de literatura infantil como, por exemplo, “O cavalinho branco”, “Colar de Carolina”, “Sonhos de menina”, “O menino azul”, entre outros. Estes poemas infantis são marcados pela musicalidade (uma das principais características de sua poesia). 

O marido suicidou-se em 1936, após vários anos de sofrimento por depressão. O novo casamento de Cecília aconteceu somente em 1940, quando conheceu o engenheiro agrônomo Heitor Vinícius da Silveira.  

No ano de 1939, Cecília publicou o livro Viagem. A beleza das poesias trouxe-lhe um grande reconhecimento dos leitores e também dos acadêmicos da área de literatura. Com este livro, ganhou o Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras. 

Cecília faleceu em sua cidade natal no dia 9 de novembro de 1964.

 

Obras da autora em nosso acervo:

– Romanceiro da inconfidencia. São Paulo: Edusp, 2004. 251 p.
– Para gostar de ler: poesias. 4. ed. São Paulo: Atica, 1997. v. 6. 62 p. 
– Cecília MeirelesSão Paulo: Abril Cultural, 1982. 112 p. 
– Olhinhos de gato. São Paulo: Moderna, 2980. 131 p.
– Traço de poeta. São Paulo: Global, 2008. 79 p.
– Pé de poesia. Ferreira Gullar, Mario Quintana, Cora Coralina, Olavo Bilac, Henriqueta Lisboa, Manuel Bandeira, Sidónio Muralha; ilustrações Lúcia Hiratsuka… [et al.]. São Paulo: Global, 2006. 64 p.
– Caminho da poesia. Manuel Bandeira, Henriqueta Lisboa, Mario Quintana, Marina Colasanti, Olavo Bilac, Paulo Leminski, Antonieta Dias de Moraes, Ferreira Gular, Cora Coralina, Guilherme de Almeida, Sidónio Muralha; Ilustrações Lúcia Hiratsuka… [et al.]. São Paulo: Global, 2006. 63 p.
– Três Marias de CecíliaOrganização, apresentação e notas de Marcos Antonio de Moraes. São Paulo: Moderna, 2006. 158 p.
– Janela mágica. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2003. 72 p.
– Crônicas de educação 4. Planejamento editorial: Leodegário A. de Azevedo Filho. 3. impr. Rio de Janeiro: Nova Fronteira: Fundação Biblioteca Nacional, 2001. 322 p.
– Crônicas de educação 2: (Obra em prosa). Apresentação e planejamento editorial: Leodegário A. de Azevedo Filho. Rio de Janeiro: Nova Fronteira: Fundação Biblioteca Nacional, 2001. 322 p.

Perfil da Semana: Dante Alighieri

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Filho de importante família florentina, não se sabe a data exata de nascimento de Dante Alighieri, o poeta que definiu e estruturou o idioma italiano moderno. A península Itálica na sua época era um mosaico de pequenos Estados que não compartilhavam sequer a mesma língua ou cultura.

Aos nove anos de idade Dante conheceu Beatrice (Beatriz) Portinari, que seria a musa inspiradora ao longo de sua obra: com 16 anos ele voltou a encontrá-la e escreveu para ela o primeiro de seus famosos sonetos de amor. Dois anos depois, casou-se com Gemma, com quem teve três filhos. O casamento estava combinado entre as famílias desde a infância dos noivos.

O amor por Beatriz deu a partida na moda do amor romântico em italiano. A morte da amada, em 1290, levou Dante ao estudo de filosofia latina e religiosa, conhecimentos que inspiraram sua principal obra.

A “Divina Comédia” conta uma viagem imaginária de Dante. O poeta romano Virgílio, seu autor clássico preferido, é o guia no caminho pelo Inferno e Purgatório, onde se encontram personalidades históricas e muitos poderosos da época. No Paraíso, Dante é levado por sua amada Beatriz, a um final feliz.

O sentido original da palavra comédia (commedia, em italiano) era oposto ao de tragédia, que terminava mal para os personagens. O poema tem estrutura épica, base filosófica, e foi escrito na língua toscana, muito próxima do italiano atual. No final do século 13, Dante Alighieri afirmava que essa língua chamada de vulgar, isto é, o vernáculo, era ainda mais nobre que o latim, pois não era artificial e nem privilégio de poucos.

A decisão de Dante de escrever seu grande poema em italiano, a língua falada pelo povo – e a inovação, no século seguinte, da imprensa de tipos móveis, foram marcos na alfabetização e na liberalização da sociedade européia.

O poeta foi médico-farmacêutico, mas não estava interessado na profissão. Entrou na guilda (corporação de ofício) dos boticários por causa de uma lei de 1295, que reservava os cargos públicos a nobres membros de alguma Corporação de Artes e Ofícios.

Dante combateu ao lado dos cavaleiros florentinos, em 1289, contra os de Arezzo. De 1295 a 1300, fez parte do Conselho dos Cem, que governava a cidade. Ele chefiou uma delegação de embaixadores de Florença a Roma, para negociar a paz com o papa Bonifácio 8º., que enviara uma tropa para pacificar a região da toscana. Exceto Dante, a comitiva retornou à cidade. Enquanto ele estava retido pelo papa, a cidade foi ocupada por uma facção rival, que matou a maioria dos membros do partido ao qual o poeta era ligado.

Dante foi condenado ao exílio pelo novo governo de Florença. Se fosse capturado por soldados da cidade seria queimado vivo. Após passar por vários principados, em 1318, ele foi convidado para ser hóspede de Guido Novello da Polenta, príncipe de Ravena, onde morreu em 1321, o mesmo ano em que terminou de escrever os versos do Paraíso, a parte final de sua “Divina Comédia”.

Perfil da Semana: Hunoré de Balzac

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Balzac (1799-1850) foi escritor francês. Escreveu “A Comédia Humana”, “A Mulher de Trinta Anos”, da qual se originou o termo “balzaquiana”, “O Lírio do Vale”, “Um Caso Tenebroso”, entre outas. Foi o grande retratista da burguesia do século XIX. A Comédia Humana é uma obra composta de 95 romances, ligados uns aos outros como se fossem os diversos momentos da vida.

Balzac (1799-1850) nasceu em Tours, França, em 20 de maio de 1799. Filho do funcionário público Bernard François Balzac e Laure Sallambier. Entre os anos de 1807 e 1813, estuda no Colégio dos Oratorianos de Vendôme. Desde pequeno sonhava viver entre aristocratas, imortalizado pela atividade literária. Logo que aprendeu a escrever passou assinar Balzac e acrescentou um “de”, marca de nobreza na França, “Honoré de Balzac”

Em 1814, a família vai morar em Paris. Com 20 anos formou-se em Direito e foi estagiar no escritório de Goyonnet de Merville, que mais tarde se transformaria em Derville de “A Comédia Humana”. Os anos de estágio lhe forneceram material para vários romances como “A Duquesa de Langlois”, “César Birotteau”, e “O Contrato de um Casamento”. Os sofrimentos dos réus, as artimanhas dos advogados, os tribunais, a força do dinheiro, todos os problemas na justiça francesa, dessa época, estão nas várias obras de Balzac.

A família se muda para Villeparisis, lugarejo próximo a Paris. Balzac resolve permanecer na cidade, abandonar o estágio e viver de literatura. Sem apoio da família, teria só um ano de mesada, foi morar num quarto da Rua Lesdiguières. Estava convencido que seria um grande escritor. Em 1820, depois de um ano, passado entre leituras, passeios e dúvidas, conclui “Cromwell”, uma tragédia composta de versos alexandrinos.

O prazo de um ano havia terminado. Os romances sentimentais estavam na moda, publicados em fascículos mensais. Balzac sabia não ser esse o caminho da arte. Publica sob pseudônimo vários romances, elaboradas entre 1822 e 1825. Lord R’hoone, Horace de Saint Aubin, foram alguns dos nomes que assinou. Desgostoso com o que produzia, vai a Villeparisis, onde conhece seu primeiro amor, Laure de Berny, amiga da família, 22 anos mais velha que ele, casada e mãe de sete filhos.

Em 1825, com recursos da família e de Laura de Berny, monta uma editora, mas em 1827, sem sucesso, volta a escrever. Inspirado no escritor Walter Scott, criador do romance histórico, publica “Os Chouans” e a “Fisiologia do Casamento”, romances que lhe abriram as portas dos importantes círculos literários, assinando seu nome pela primeira vez. Colabora com revistas e periódicos de sucesso.
Em um único ano escreve inúmeros artigos, dezenove novela e romances, entre eles, “Catarina de Médicis”, “A Pele de Onagro”, “Beatriz” e “Pequenas Misérias da Vida Conjugal”.

Em 1832, Balzac candidata-se a deputado, mas não teve os votos esperados. Os fidalgos não aceitam em seu meio, um provinciano plebeu. Nesse mesmo ano recebe uma carta de uma mulher que assinava “A Estrangeira”, mais tarde descobriu ser a condessa polonesa Eveline Hanska, casada e bem mais velha que ele. Encontram-se na Suíça e tornaram-se amantes.

Balzac, publica em 1834, “Pai Goriot”, iniciando o sistema de repetição de personagens de uma obra para outra. Sentiu que podia fazer romances sem começo nem fim, ligados uns aos outros, representando os diversos momentos da vida. Nesse mesmo ano publica “A Comédia Humana”, composta de 95 romances, dividido em três partes: “Estudos de Costumes”, “Estudos Filosóficos” e “Estudos Analíticos”. Publica ainda “O Contrato de Casamento”, “O Lírio do Vale”, onde celebra sua “Dileta” sob o nome de “Senhora Mortsauf” e “Memórias de Uma Jovem Esposa”. Em 1942 publica “A Mulher de Trinta Anos”, romance que deu origem a expressão “Balzaquiana”, que faz referência às mulheres mais maduras.

Honoré de Balzac morre no dia 18 de agosto de 1850, sem ter sido um aristocrata. É enterrado no Cemitério de Père-Lachaise. Vitor Hugo pronuncia o discurso fúnebre.

Perfil da Semana: Zelia Gattai

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Descendente de imigrantes italianos, Zélia Gattai nasceu e cresceu cresceu na cidade de São Paulo. Nas três primeiras décadas do século 20, a capital paulista sofria forte influência da imigração européia, especialmente a italiana. Italianos e espanhóis constituíam a maior parte da mão de obra que atuava na cidade, que experimentava seu primeiro surto de industrialização. Além do trabalho, esses imigrantes deram origem a um movimento operário, influenciado por idéias socialistas e anarquistas.

Ainda jovem, Zélia participou do movimento anarquista, juntamente com membros de sua família. Aos 20 anos, ela se casou com Aldo Veiga, intelectual e militante comunista, com quem teve um filho em 1942. No entanto, três anos mais tarde, já separada de Aldo, conheceu o escritor baiano Jorge Amado, por quem se apaixonou. Os dois se casaram e o relacionamento se estendeu até a morte do escritor, em 2001.

Jorge Amado também desenvolvia militância política, sendo membro do Partido Comunista Brasileiro. Assim, ele e Zélia se conheceram na prática militante, quando os dois trabalhavam pela anistia dos presos políticos, em 1945, no fim do Estado Novo. A partir de então, Zélia passou a secretariar o trabalho do marido, cuidando da preparação e da revisão dos originais de seus livros.

Em 1946, com o fim da ditadura de Getúlio Vargas e a restauração da democracia, Jorge Amado elegeu-se deputado federal e o casal mudou-se para o Rio de Janeiro, então a capital do país e sede do Congresso Nacional. Porém, um ano depois, o Partido Comunista foi declarado ilegal, Amado não só perdeu o mandato, como teve que exilar-se em Paris, juntamente com a família. Permaneceu na França três anos.

Durante esse período, Zélia fez cursos universitários na Sorbonne (civilização francesa, fonética e língua francesa). Entre 1950 e 1952, a família viveu na Tchecoslováquia. Lá, Zélia começou a fotografar, documentando momentos significativos da vida e da carreira do escritor baiano. Durante sua permanência na Europa, o casal teve contato com outras personalidades de destaque no panorama internacional da cultura, como o poeta Pablo Neruda, o filósofo Jean-Paul-Sartre e o pintor Pablo Picasso.

Jorge Amado e Zélia Gattai retornaram ao Brasil ainda em 1952, estabelecendo-se no Rio de Janeiro. Em 1963, fixaram residência em Salvador, na Bahia. Neste ano, Zélia lançou “Reportagem Incompleta”, uma fotobiografia do marido.

A escritora teve um filho do primeiro casamento e um casal do segundo.

Entretanto, Zélia Gattai se tornaria conhecida de um público mais amplo aos 63 anos, com a publicação de “Anarquistas, Graças a Deus”, livro de memórias que recebeu o Prêmio Paulista de Revelação Literária de 1979 e foi adaptada para a TV em 1982, numa minissérie dirigida por Walter Avancini.

No dia 6 de agosto de 2001, Jorge Amado morreu. No mesmo ano, Zélia foi eleita para a Academia Brasileira de Letras, para a cadeira 23, anteriormente ocupada por seu marido, numa eleição controversa. Houve quem a considerasse mais uma homenagem ao escritor do que propriamente mérito literário de sua viúva.

De qualquer modo, a carreira literária de Zélia Gattai não parou no primeiro livro. A escritora lançou ainda “Um Chapéu para Viagem”, 1982 (memórias); “Jardim de Inverno”, 1988 (memórias); “Pipistrelo das Mil Cores”, 1989 (infantil); “Crônica de uma Namorada”, 1995 (romance); “A Casa do Rio Vermelho”, 1999 (memórias); “Vacina de Sapo e Outras Lembranças”, 2005 (memórias). Alguns desses livros foram traduzidos para o francês, o italiano, o espanhol, o alemão e o russo.

Em 31 de março de 2008, a escritora foi internada com dores abdominais no Hospital Aliança, em Salvador. A situação de Zélia se agravou e no dia 17 de abril a escritora foi transferida para o Hospital da Bahia, onde passou por uma cirurgia de desobstrução do intestino. Ao longo do procedimento, foi confirmada a existência de um tumor benigno, que foi retirado.

Em 16 de maio desse ano, o estado de saúde da escritora, que respirava com a ajuda de aparelhos, se agravou, com “piora hemodinâmica progressiva que evoluiu para o quadro clínico de choque”, além de “piora significativa da função renal”, segundo o boletim assinado pelos médicos Jadelson Andrade, Jorge Pereira e Izio Kowes, do Hospital da Bahia. Segundo boletim divulgado na manhã do dia seguinte, Zélia, sedada, apresentava quadro clinico de choque circulatório irreversível. Ao final da tarde, foi divulgada sua morte.

Perfil da Semana: Karl Marx

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Karl Marx nasceu em Trier (na época no Reino da Prússia) em 5 de Maio de 1818 e morreu em Londres a 14 de Março de 1883.

Era o filho mais novo de uma família judaica de classe média da cidade. Em Iena, obteve em 1841, o seu doutoramento em Filosofia com uma tese Sobre as diferenças da filosofia da natureza de Demócrito e de Epicuro.

No ano seguinte tornou-se redator-chefe de um jornal da província de Colônia, onde conheceu Friedrich Engels, durante visita deste a redação do jornal.

Em 1844, após sua mudança para Paris no ano anterior, trabalha na edição do primeiro volume dos Anais Germânico-Franceses, principal divulgação dos hegelianos da esquerda. Pouco tempo depois, por divergências ideológicas, rompe com os líderes deste movimento, Bruno Bauer e Ruge.

Entre os primeiros trabalhos de Marx, foi considerado o mais importante o seu artigo Sobre a crítica da Filosofia do direito de Hegel, primeiro esboço da interpretação materialista da dialética hegeliana.

Marx e Engels escreveram juntos em 1845 A Sagrada Família, trabalho que versava contra o hegeliano Bruno Bauer e seus irmãos. Também foi obra comum A Ideologia alemã (1845-46), que por motivo de censura não pôde ser publicada naquele momento. A edição completa daquele trabalho apenas seria divulgada em 1932.

Sozinho, Marx escreveu A Miséria da Filosofia (1847), a polêmica veemente contra o anarquista francês Proudhon.

O Manifesto Comunista, de 1847, foi a última obra comum de Marx e Engels. A obra se constitui em um breve resumo do materialismo histórico e apelo à revolução.

Após estabelecer – se em Bruxelas, passa a fazer parte de organizações clandestinas de operários e exilados. Em 24 de fevereiro de 1848, Marx e Engels publicaram o folheto O Manifesto Comunista, primeiro esboço da teoria revolucionária que, mais tarde, seria chamada marxista.

O 18 Brumário de Luís Bonaparte foi publicado em 1852 em jornais e em 1869 como livro. É a primeira interpretação de um acontecimento histórico. O acontecimento explorado é o golpe de Estado de Napoleão III.

Após a sua chegada a Londres, passa a fazer parte de vastos estudos econômicos e históricos, sendo frequentador assíduo da sala de leituras do British Museum. Escrevia artigos para jornais norte-americanos, sobre política exterior. Neste período sua condição financeira estava muito precária. Nesta época foi ajudado por Engels, que vivia em Manchester em uma condição financeira muito mais favorável.

No ano de 1867, publicou o primeiro volume da sua obra principal, O Capital. É um livro fundamentalmente econômico, resultado dos estudos no British Museum, tratando da teoria do valor, da mais-valia, da acumulação do capital etc.

Os volumes II e III de O Capital foram editados por Engels, em 1885 e em 1894. Outros textos foram publicados por Karl Kautsky como volume IV (1904-10).

A teoria defendida por Karl Marx fundamenta – se na crítica radical do capitalismo, onde predomina a exploração do trabalhador pela burguesia. Sob a sua óptica, havia aqueles que possuíam o capital produtivo com o qual expropriavam a mais-valia, constituindo assim a classe exploradora (burguesia); de outro lado estavam os assalariados que não possuíam a propriedade (proletários).

Com esta estrutura, Marx acreditava que a Educação era parte da superestrutura de controle usada pelas classes dominantes. Desacreditava no currículo que ela traria e na forma como seria ensinado. Defendia a educação técnica e industrial (essas ideias tiveram um impacto posterior na educação, especialmente no que diz respeito à educação tecnológica).

Karl Marx defendia a educação pública e gratuita para todas as crianças. Esta era, na sua visão, a solução para retirá-las do trabalho nas fábricas. Defendia, ainda, que a educação deveria formar o homem nos aspectos físico, mental e técnico, trazendo os panoramas do estudo, lazer e trabalho. O intuito fundamental deveria produzir seres humanos desenvolvidos integralmente através do trabalho produtivo, escolaridade e ginástica.

Em 1932 foram descobertos e editados em Moscou os Manuscritos Econômico-Filosóficos, redigidos em 1844 e deixados inacabados. É o esboço de um socialismo humanista, que se preocupa principalmente com a alienação do homem; sobre a compatibilidade ou não deste humanismo com o marxismo posterior, a discussão não está encerrada.

Perfil da Semana: José de Alencar

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Biografia

José Martiniano de Alencar, filho de um importante senador da época do Império, tornou-se político, jornalista e escritor logo após formar-se em direito. É considerado o maior romancista do Romantismo Brasileiro, por criar uma literatura nacionalista, que emprega vocabulário e sintaxe típica brasileira, evitando ao máximo o estilo lusitano que, até então, tinha grande destaque na literatura aqui produzida.

Sua obra, é possível traçar um perfil da cultura e dos costumes de sua época, bem como da história do Brasil, tendo como preocupação essencial a busca de uma identidade nacional, seja quando descreve a sociedade burguesa carioca ou quando se volta para os temas ligados as índio ou ao sertanejo. Seus romançes costumam ser dividos entre urbanos, indianistas, históricos e regionalistas.

A obra urbana de Alencar segue o padrão do típico romance de folhetim, retratando a alta sociedade fluminense do Segundo Reinado, com tramas que envolvem amor, segredos e suspense.. Contudo, por trás da futilidade dos namoricos da Corte está a crítica à hipocrisia, à ambição e à desigualdade social. 

O autor também chega a analisar o caráter psicológico de suas personagens femininas, revelando seus conflitos interiores e antecipando as características da escola realista, que sucedeu o Romantismo. Seus romances urbanos são Cinco Minutos (1860), A viuvinha (1860), Lucíola (1862), Diva (1864), A Pata da Gazela (1870), Sonhos d’ouro (1872), Senhora (1875) e Encarnação (1877). Senhora é considerada a obra mais importante deste grupo.

Os livros indianistas buscam transportae as tradições indígenas para a ficção, relatando mitos, lendas, festas, usos e costumes, muitas vezes observados pessoalmente pelo autor. Mesmo assim, o índio é visto de maneira idealizada, que representa, em nível simbólico, a origem do povo brasileiro. Nesse sentido, seus textos trazem a imagem do homem branco como corrompido pelo mundo civilizado e apresenta o índio como um “bom selvagem”, destacando seu caráter bom, valente e puro. Seus romances indianistas são: O Guarani (1857), Iracema (1865) e Ubirajara (1874).

José de Alencar também Buscou inspiração em nosso passado  para escrever romances históricos, propondo uma nova interpretação literária para fatos marcantes da colonização, como a busca por ouro e as lutas pela extensão territorial. Seus enredos denotam em vários momentos um nacionalismo exaltado e o orgulho pela construção da pátria. Obras históricas: As Minas de Prata (1865), Alfarrábios (1873) e A Guerra dos Mascates (1873).

Já os romances regionalistas denotam o interesse do autor pelas refiões mais afastadas do Brasil, alheias à influência européia que predominavam na Corte fluminense. Assim, ele alia os hábitos da vida no campo e a cultura popular à beleza natural e exótica das terras brasileiras. Se nos romances urbanos as mulheres são sempre enfatizadas, nas obras de cunho regional os homens recebem o destaque, com toda a sua rudeza, enfrentando os desafios da vida, enquanto que as mulheres assumem papéis secundários. Seus romances regionalistas são: O gaúcho (1870), O Tronco do ipê (1871), Til (1872) e O Sertanejo (1876). Com eles, autor focalizou, respectivamente, os pampas, o interior paulista e o sertão nordestino, procurando dar conta de nossa diversidade regional.

Ao lado da literatura, não se pode esquecer de que HJosé de Alencar foi um político atuante, vindo a ser depultado provincial do Ceará e a ocupar o cargo de ministro da Justiça. Deixou a política após ter seu nome vetado pelo imperador D. Pedro II para p cargo de senador. Deprimido e debilitado pela tuberculose, de que sofria desde a juventude, foi para a Europa se tratar. Sem obter resultados, voltou ao Brasil em estado grave e acabou morrendo pouco tempo depois, aos 48 anos.


FONTE: http://educacao.uol.com.br/biografias/jose-de-alencar.jhtm

Perfil da Semana: Max Weber

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Biografia

Max Weber viveu no período em que as primeiras disputas sobre a metodologia das ciências sociais começavam a surgir na Europa, sobretudo em seu país, a Alemanha. Filho de uma família de classe média alta, com o pai advogado, Weber encontrou em sua casa uma atmosfera intelectualmente estimulante. Ainda era criança quando se mudaram para Berlim. Em 1882 foi para a Faculdade de Direito de Heidelberg. Um ano depois transferiu-se para Estrasburgo, onde prestou o serviço militar.

Em 1884 reiniciou os estudos universitários, em Göttingen e Berlim, dedicando-se as áreas de economia, história, filosofia e direito. Trabalhou na Universidade de Berlim como livre-docente, ao mesmo tempo em que era assessor do governo. Cinco anos depois, escreveu sua tese de doutoramento sobre a história das companhias de comércio durante a Idade Média. A seguir escreveu a tese “A História das Instituições Agrárias”. Casou-se, em 1893, com Marianne Schnitger e, no ano seguinte, tornou-se professor de economia na Universidade de Freiburg, transferindo-se, em 1896, para a de Heidelberg.

Depois disso, passou por um período de perturbações nervosas que o levaram a deixar o trabalho. Só voltou à atividade em 1903, participando da direção de uma das mais destacadas publicações de ciências sociais da Alemanha. No ano seguinte publicou ensaios sobre a objetividade nas ciências sociais e a primeira parte de “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, que se tornaria sua obra mais conhecida e é de fato fundamental para a reflexão sociológica.

Em 1906 redigiu dois ensaios sobre a Rússia: “A Situação da Democracia Burguesa na Rússia” e “A Transição da Rússia para o Constitucionalismo de Fachada”. No início da Primeira Guerra Mundial, Weber, no posto de capitão, foi encarregado de administrar nove hospitais em Heidelberg.

Quando a guerra terminou, mudou-se para Viena, onde deu o curso “Uma Crítica Positiva da Concepção Materialista da História”. Em 1919 pronunciou conferências em Munique, publicadas sob o título de “História Econômica Geral”. No ano seguinte faleceu em consequência de uma pneumonia aguda.

Obras do Autor em Nosso acervo

– Sociologia. 7. ed. São Paulo: Ática, 2006. 167 p.
Os fundamentos racionais e sociológicos da música.São Paulo: Edusp, 1995. 159 p.
 Ensaios de sociologia. [Essays in sociology]. 5. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2002. 325 p.
– Ciência e política: duas vocações. 9. ed. São Paulo: Cultrix, 1993. 124 p.
Ética protestante e o “espírito” do capitalismo. [Protestantische ethik und der Geistes der Kapitalismus]. São Paulo: Compania das Letras, 2004. 335 p.
 Metodologia das ciências sociais. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2001. v.2. 453 p.
Economia e sociedade: fundamentos da sociologia compreensiva. Tradução de Regis Barbosa e Karen Elsabe Barbosa, Revisão técnica de Gabriel Cohn. Brasília ; São Paulo: Universidade de Brasília : Imprensa Oficial, 2004. v. 2. 580 p.
Le savant et le politique. Paris: Union Générale D’Éditions, 1959. 185 p.
 The protestant ethic and the spirit of capitalism. New York: Charles Scribner’s Sons, 19_ _?. 292 p.
Textos selecionados. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1980. 268 p
Estudos políticos: Rússia 1905 e 1917. Rio de Janeiro: Azougue, 2005. 215 p.
Historia económica general. México: Fundo de Cultura Económica, 2001. 331 p.
Conceitos básicos de sociologia. 5. ed. rev. São Paulo: Centauro, 2008. 103 p.
Ensaios sobre a teoria das ciências sociais. 2. ed. São Paulo: Centauro, 2004. 132 p.
História geral da economia. São Paulo: Centauro, 2006. 336 p.
Économie et société. Paris: Libraire Plon, 1971. v. 1. 650 p.
Sobre a universidade: o poder do Estado e a dignidade da profissão academica. Tradução de Lolio Lourenço de Oliveira. São Paulo: Cortez, 1989. v. 1. 149 p.

 

Obras Sobre o Autor em Nosso Acervo

– Bendiz, Reinhard. Max Weber: um perfil intelectual. Brasília: Universidade de Brasília, 1986. 428 p.
– Souza, Jessé. Patologias da modernidade : um diálogo entre Habermas e Weber . São Paulo: Annablume, 1997. 153 p.
Ética protestante e o espírito do capitalismo. [Protestantische ethik und der Geistes der Kapitalismus]. 4. ed. São Paulo: Pioneira, 1985. 233 p.
– Cohn, Gabriel (org.). Sociologia: para ler os clássicos. 2. ed. Rio de Janeiro: Azougue, 2007. 221 p.
– Mills, Wright. From Max Weber: essays in sociology. New York: Oxford university press, 1970. 490 p.
– Cohn, Gabriel. Crítica e resignação: fundamentos da sociologia de Max Weber. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003. 256 p. 
– Coelho, Maria Francisca Pinheiro (org.); Bandeira, Lourdes (org.); Menezes, Marilde Loiola de (org.). Política, ciência e cultura em Max Weber. Brasília: Universidade de Brasília, 2000. 378 p.
– Freund, Julien; Costa, Luiz Claudio de Castro e (trad.). Sociologia de Max Weber. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006. 209 p.
– Lazarte, Rolando. Max Weber: ciência e valores. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2001. 118 p.
– Amorim, Aluizio Batista de. Elementos de sociologia de direito em Max Weber. Florianópolis: Insular, 2001. 182 p
-Souza, Jessé (org.). A Atualidade de Max Weber. Brasília: Ed. UnB, 2000. 393 p.
– Swedberg, Richard, 1948-. Max Weber e a idéia de sociologia econômica. Rio de Janeiro: UFRJ, 2005. 384 p
– Saint-Pierre, Héctor Luis. Max Weber: entre a paixão e a razão. 3. ed. Campinas: UNICAMP, 2004. 143 p.
– Cohn, Gabriel. Critica e resignação: fundamentos da sociologia de Max Weber fundamentos da sociologia de Max Weber. São Paulo: T. A. Queiroz, 1979. 161 p.
– Chacon, Vamireh. Max Weber: A crise da ciência e da política. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1988. 108 p.
– Pierucci, Antonio Flávio de Oliveira. O desencantamento do mundo:todos os passos do conceito em Max Weber. 2. ed. São Paulo: 34, 2005. 236 p.
– Ringer, Fritz K. A metodologia de Max Weber: unificação das ciências culturais e sociais. Tradução: Gilson César Cardoso de Sousa. São Paulo: EDUSP, 2004. 186 p.
– COHN, Gabriel (org.); FERNANDES, Florestan (Coord.). Max Weber: Sociologia. 7. ed. São Paulo: Atica, 1999. 167 p.

FONTE: http://educacao.uol.com.br/biografias/max-weber.jhtm